Localização

Rua São Vicente 25 - Fidalgo, Pedro Leopoldo - MG - CEP 33.600-000 (Unidade Fidalgo).

sábado, 17 de dezembro de 2016

Abrigo Lapinha sob nova administração

Aproveito a oportunidade para informar o publico que a administração do Abrigo Lapinha passa a cargo de Patricia, Thiago e o pequeno Pietro. A casa na Lapinha deixou de funcionar como abrigo, mas a casa em Fidalgo continua oferecendo hospedagem, e muito mais! Desejo muito successo á familia neste novo empreendimento! Para reservas, podem entrar em contato pelo telefone 31 99905-0138, ou email patricianunes_sbh@yahoo.com.br Obrigada a todos pela confiança e apoio em todo esse tempo! Envio-lhes um grande abraço desde Bulgaria!
Patricia, Thiago e Pietro

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Abrigo Lapinha e amigos: Um atleta de alto nivel que virou escalador. Rui Paulo.

Nessa entrevista da serie "Abrigo Lapinha e Amigos" apresentamos ao grande amigo escalador Rui Paulo, quem foi atleta de alto nivel no salto em altura (!), alcançou resultados importantes e ganhou campeonatos internacionais. A etrevista foi concendida em agosto, logo após as Olimpiadas e estamos publicando agora para lembra-lhes dessa festa mais bonita e importante para o esporte no mundo todo, na qual a escalada logo participará.
 
Aproveitamos a oportunidade para saber um pouco mais sobre o mundo do atletismo e entender a transformação que ocurreu na vida de Rui depois de conhecer as paredes de rocha, e virar um escalador arduo que viaja pelo Brasil inteiro para conhecer novos picos e fazer amigos
Rui escalando em Sao Bento do Sapucai (SP)
AL: Rui, voce foi atleta de alto nivel no salto de altura e participou em campeonatos mundiais de atletismo. Conte um pouco sobre a sua carrera.

Rui: Em meados do inverno de 1988 sagrei-me vice-campeão infantil do salto em altura em um torneio inter escolar de atletismo e descobri duas coisas: A primeira delas é de que seria desportista para sempre, essa é a minha virtude, e a segunda e mais importante é que não há relação direta entre ser o melhor e estar-se completamente alegre ou satisfeito.
Bicampeao Sulamericano na Argentina

AL: Quantos anos voce dedicou ao atletismo? Qual foi o seu mehor salto?

Rui: Foram onze anos de dedicação ao atletismo sempre competindo no salto em altura, prova que tem como recordista mundial o cubano Javier Sotomayor com 2,45 metros (1 e 2 centímetros mais que a rede masculina de vôlei e a trave de futebol respectivamente), eu por minha vez  alcancei modestos 2,15 metros (5 ou 6 centímetros mais que uma porta comum).

O atletismo competitivo me concedeu mais que alguns trocados, uma bolsa integral na faculdade de educação física e alguns recordes e campeonatos. Deu-me formação moral, me ajudou a lidar com vitorias e principalmente derrotas, uma vez que mesmo quatro vezes campeão Brasileiro e duas campeão Sul-americano, as derrotas no esporte assim como na vida se fazem sempre mais presentes.

Copa America com Javier Sotomaior, recordista mundial (no meio) e Jeferson, recordista Sulamericano (a sua direita)

AL: Voce conheceu os melhores do esporte? Presenciou alguns logros importantes?
Rui: Através do salto em altura conheci quase todo o Brasil e alguns países pelo mundo, quando o que mais me impressionou foi o Canadá durante o campeonato Pan Americano, com sua estrutura e educação impecável. Contei também com professores e técnicos que me ensinaram como verdadeiros pais e ainda cultivei amizades sinceras que as mantenho ate hoje, alem do privilégio e satisfação de conhecer e competir com o cubano Javier Sotomayor, campeão mundial algumas vezes, campeão olímpico e detentor a 23 anos do recorde mundial do salto em altura.


Rui saltando
AL: Como foi que voce descobriu a escalada e virou escalador?
 
Rui: O drama da transição entre atleta e pessoa comum é recorrente a todos os ex-atletas, se adaptar a uma rotina normal, sem desafios físicos e psicológicos quase que diários, é tarefa árdua. Então nos restam dois caminhos: O da inércia, que resulta quase sempre em ganho de peso (gordura RS), depressão e desencanto pela vida, ou ainda outra estratégia a qual recorri me baseando no escritor Emanuel Kant, que dizia: "Já que não ama, haja como se amasse", então já que não era mais atleta passei a agir como se ainda o fosse. Primeiramente o basquete, depois meu filho mais velho me ensinou andar de skate (que utilizo até hoje como meio de transporte), à magia e beleza do surf não me adaptei, para enfim através do mal compreendido e muita vezes discriminado Rapel conhecer e me apaixonar de pronto pela Escalada.

Pico Maior, Nova Friburgo (RJ)
Quando desci da minha primeira parede pensei: Eureka (encontrei)! Acredito inclusive que somos todos escaladores, faz parte de nossa essência enquanto humanos, só precisamos de uma forcinha para lembrarmos disso.
Escalando em Piracaia (SP)
AL: Ja esta certo que a escalada vai  estreiar nas olimpiadas em 2022. Quais seriam as concequencias para o esporte e para os escaladores? Como voce acha que a escalada mudara por estar-se reunindo a familia olimpica?
Rui: A intensidade de prática e paixão declarada pelas montanhas me denota quase sempre melhor e mais experiente escalador do que realmente o sou. Escalo ha apenas três anos e meio, mais especificamente 177 finais de semana consecutivos. Já como atleta e integrante da seleção Brasileira de atletismo por alguns anos tive um pouco mais de experiência e penso que muitas coisas boas e ruins poderiam acontecer com a inclusão da escalada nas 32° Olimpíadas de Tóquio Japão em 2020.
Dedo de Deus (RJ)
O quão melhor ou pior serão essas mudanças, caberá prioritariamente aos órgãos responsáveis por essa reestruturação de todos os contextos que envolvem a escalada, desde organização de campeonatos e locais voltados ao treinamento de atletas, à correta divulgação do esporte e incorporação adequada de novos adeptos principalmente os que se interessarem pela escalada não em ginásios somente, mas também na rocha junto à natureza e todas as responsabilidades e cuidados que devemos ter quando interagimos junto a esta.

Na Lapa do Antão (MG)
Uma vez esporte olímpico o foco em torno de esportes livres, tidos como radicais, como o surf, o skate e a escalada, mudarão significativamente logo que na maior parte das vezes se almejara antes de tudo a vitória.

Na Lapinha (MG) -  A via Scarface, que quase quebrou minha perna, rs
 AL: Voce viaja muito pelo Brasil para vconhecer novos locais de escalada. Conte um pouco sobre as suas viagens e os seus lugares preferidos.
Rui: O Brasil é sem duvida um dos, senão o melhor e mais bonito pais do mundo para a pratica de escalada, tive o prazer de escalar em boa parte desses lugares como em São Paulo onde aprendi e sempre aprendo com a pedreira de Mairiporã no bom e velho Dib, o chamamos assim, como um amigo se dirigi a outro mais experiente.
Big wall Pedra da Laginha (Espirito Santo)
Em Analândia e sua formação de Arenito inusitada, o Cuscuzeiro. Escalar a beira mar no Morro do Maluf  no Guarujá, há 60 km de São Paulo é massa demais, alem de Pindamonhangaba e seus vários setores e suas inúmeras e lindas vias, visual das águas em Piracaia,Baú e Bauzinho em São Bento do Sapucaí  e um dos melhores e organizados Campo Escola que já freqüentei, a Pedra da Represa em Salesopolis.
Analandia (SP)
No Rio de Janeiro que hoje cedia as 31° Olimpíada da era moderna, subir o Pão de Açúcar ou chegar aos pés do Cristo Redentor escalando é algo indescritível, fazer um lanchinho dentro de um dos olhos da cabeça do imperador na Pedra da Gávea (maior montanha beira mar do mundo) ou alcançar o cume do Dedo de Deus em Teresópolis, saborear as belezas dos montes da Floresta da Tijuca (maior Floresta urbana do mundo), ou controlar-se diante da imponência do Pico Maior em Nova Friburgo (ponto mais alto da serra do mar), são todos prazeres sem igual.
Pedra da Gavea (RJ)
Em Minas Gerais minha terra, encantou-me a montanha rosa e suas pinturas rupestres em são João Del Rey MG, os boulders de São Thomé das Letras, a dureza das vias do Pedrão em Pedralva, os psicoblocos de Furnas em Capitólio, os festivais de escalada nas montanhas de quartzito colorido em Araxá e nos montes de calcário de Arcos e mais os surreais vale encantado em Januaria e a Serra do Cipó que dispensa comentários.
Sao Joao del Rey e a Montanha Rosa (MG)
E ainda houve também os encantamentos da chapada dos veadeiros, as torres de quartzito de Cocalzinho, e o Belchior em Goiás, alem da Gigante Pedra da Lajinha no Espírito Santo e seus intermináveis 1.150 metros de altura, alem de incontáveis outras magníficas montanhas que não caberiam todas aqui.
Cocalzinho (Goias)
AL: Voce e um hospede regular do Abrigo Lapinha. O que te faz voltar sempre no Abrigo?
Rui: Como viajo bastante desde os treze anos, sou sempre questionado sobre qual o mais belo e perfeito lugar já estive. Para aqueles que como eu têm mais de um filho sabe que é difícil senão impossível escolher um deles. Com tudo uma vez que montanhas são mudas e então não  se queixarão, minha resposta se aproxima quase sempre de Lagoa Santa em MG, onde sempre me hospedo no local que mais me sinto em casa, o abrigo da Lapinha, com a ótima recepção e acomodação  ao melhor estilo mineiro-europeu dos amigos  Leandrinho e Petya. É lá que experimento maior prazer e mais beleza me atinge as retinas quando escalo no Sitio do Rod e Gruta da Lapinha, palavras não poderiam descrever tais lugares.
Sitio do Rod, na via "Vivendo no crux da larica" (MG)
AL: Uma mensagem para os escaladores do Brasil:
Rui: Que essa inserção da escalada ´as 32° Olimpíadas de Tóquio Japão, nos traga progresso e reconhecimento. Torço e me dedicarei sempre para que nunca se perca a pureza e simplicidade de se alcançar o cume de uma montanha escalando e com todo respeito que lhe é devido.
Vale da lua - Chapada dos Veadeiros
Escalar uma montanha é muito mais que um esporte e envolve muito mais que vitória e derrota, tem relação com a possibilidade de nos conectarmos com a natureza e com nós mesmos, nos tornando assim pessoas melhores e mais responsáveis com o planeta.
Floresta da Tijuca e minha paixao pela bandeira do Brasil

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Abrigo Lapinha e amigos: Toda uma vida dedicada à escalada. Luis Henrique Cony.

Nessa segunda entrevista da serie "Abrigo Lapinha e Amigos" com muito prazer e orgulho apresentamos a Luis Henrique Cony, uma lenda da escalada gaucha e do montanismo brasileiro. Abriu mais de 100 vias, subiu montanhas de gelo e neve, representou Brasil em campeonatos internacionais, fundou à AGM (Associação Gaucha de Montanhismo). 

Cony é segunda geração escalador, filho do pioneiro da escalada gaucha e brasileira Luiz Gonzaga Cony. Começou escalar ainda criancinha, 43 anos atrás (!), para não parar nunca. É toda uma vida dedicada à escalada e às montanhas. 

 


Cony é um grande escalador que inspira a todos que o conhecem, mas também um pai dedicado, profissional exitoso, pessoa muito amável e sincera, grande amigo. Nessa entrevista ele conta um pouco sobre a sua trajetória na escalada, os amigos, a vida em família e a sua motivação para continuar escalar fortemente depois de te-lo feito durante mais de quatro décadas.
Luis Henrique Cony com a esposa Francisca e os filhos Alice e David
AL: Cony, você tem 43 anos de escalada, é toda uma vida... Lembra como tudo começou?
Os Cony em 1973, o pequeno Luis começou escalar
Cony: Lembro bastante, apesar de ter começado cedo. A memoria traz momentos de quando minha mãe nos levava (eu e meu irmão com 1 ano na época), para acampar e ver nosso pai escalar, no Pico dos Corvos em Gravataí/ RS.  Naquela época, eu com 5 anos (1969), já ficava na base “chorando”para poder subir até o “colo”com eles.  Queria entender, participar, ver o que acontecia “lá em cima”! Depois de muito choro e acampamentos com meu pai, fiz minha primeira subida com corda e depois fui descido por ele por 12 metros até o colo.  Subi a via normal do Pico até o primeiro platô.  Dali em diante, foi só repetir e ir cada vez mais alto. Comecei oficialmente em 1973 e desde então nunca parei.


AL: Você é segunda geração de escalador, um dos poucos no Brasil. Conte-nos um pouco sobre o seu pai e as escaladas da época.
 
Edgar, Gambaro e Cony no Itacolomi, 1952
Cony: Meu pai (Luiz Gonzaga Cony) foi um dos pioneiros da escalada aqui no RS, por volta de 1950 ele e seu amigo Edgar Kittelmann, faziam excursões aos finais de semana para explorar, tirar fotos, etc. Nos anos 1952 até 1960 eles descobriram e conquistaram vários locais aqui no estado, com uso de técnicas e equipamentos precarios (a maioria fabricado por eles- mosquetões, grampos de fenda, nuts e stoppers feitos de madeira, cadeirinhas feito com fitas e cordas, etc.) e, neste período, fundaram o extinto C.E.F. (Clube de excursões Farroupilha) em Porto Alegre. Ali, alguns afins do esporte participaram com eles de suas conquistas. 

Luiz Gonzaga Cony no Pico do Morcego
 O CEF foi substituído por um clube maior, mais organizado, já com um nova geração de escaladores. Foi fundado então o CGM – Clube Gaúcho de Montanhismo, em 10 de maio de 1976, ocasião da conquista do Pico do Morcego, em Bagé. Fui coordenador dos cursos de escalada do clube, tesoureiro, responsável pelo almoxarifado, e por inúmeras conquistas.

Os Cony na comemoração de 25 anos da AGM
A conquista do Pico do Morcego foi um marco das vias tradicionais aqui no RS, tanto que virou o brasão (logo) do clube. Como toda geração traz mudanças no perfil e com os avanços da escalada no mundo, o CGM teve sua jornada encerrada nos anos 1996/1997, iniciando assim um novo período com o auge focado nas escaladas esportivas.  Assim, eu e um grupo de remanescentes do CGM, junto a meu pai e seu Edgar, criamos a AGM – Associação Gaúcha de Montanhismo (04/07/2000). Esta existente até hoje e uma das entidades mais organizadas e fortes do Brasil.

AL: Conte-nos sobre a sua trajetória na escalada.

Cony: Até os anos 1982, participei de muitas escaladas com minha família (meu irmão também escala), mas não havia experimentado a ponta da corda(guiar), por mais que houvesse desejo.  Meu grande parceiro de cordada na época foi o Roberto Cappellari, com quem aprendi muita coisa, entre elas, a superação do medo para ir na frente.

Cony e Rafael Britto na conquista da Viagem Retardada, na Pedra do Segredo
Naquela época as vias eram tradicionais, equipamentos simples e mais pesados (eu usava um cinto de couro dos bombeiros, preso apenas na cintura!). Em 1983, fiz minha primeira via guiando. Foi um feito aquilo pra mim e marcou definitivamente a condição de ser o “Segundo”na corda.  Desta época até 1986, foi um grande avanços técnico e me envolvi profundamente para a escalada. Com o ingresso na faculdade de engenharia, meu tempo pra escalar ficou mais escasso, mas assim mesmo ia todo final de semana, de ônibus ou bicicleta, nos campo-escola próximos de Porto Alegre. 

Do fundo do baú: A Casa do Aventureiro
Em 1986, fui convidado a participar como sócio na abertura de uma loja para vendas e serviços de material esportivo (Casa do Aventureiro) e, neste mesmo ano, fiz a primeira expedição gaúcha à cordilheira dos Andes, na Argentina.  
Subida ao Cerro Pico Franke e Rincón (Argentina), 1986
Subi com o Roberto Cappellari o Cerro Plata (6.300m), marcando assim a primeira das 16 montanhas seguintes acima dos 4000m que faria. 

Como no histórico da escalada em rocha aqui no RS, escalar no gelo/neve não foi diferente. Não tínhamos recursos e equipamentos, então boa parte foi feita por nós mesmos (saco de dormir, calças e casacos impermeáveis, roupas térmicas, picaretas para gelo, etc. Como representante comercial pela loja aqui no RS, muita novidade se trazia de SP e RJ (botas, lanternas, cordas, etc). 

Em 1990, subi o Aconcágua (6960m) e esta ainda é a marca mais alta que estive.  Em 1991, morando em SP, fui convidado a participar da primeira expedição Brasileira ao Monte Everest. Não fui por falta de verbas, entre outros. Mas o sonho permanece….

Nos Pirineos (Espanha). O acesso para a Brecha cruzando o Glaciar.
No Frei (Argentina) com os amigos
Voltando ao Brasil, já escalei os principais locais e conquistei mais de 100 vias, maioria esportiva (minha predileção atual). Meu grau máximo a vista foi um 8b, e grau trabalhado 10a (sem cadena). O grau encadenado mais alto até o momento é 9b, estou trabalhando alguns 9c’s. 

Escalando as paredes francesas
AL: Como você manteve a motivação no alto durante todo este tempo? Tem receita?
Cony: Se motivação tivesse receita, seria um sucesso de vendas.  Como alguns livros de auto ajuda. Mas algumas dicas sempre são boas de lembrar: dormir bem e bastante (cada vez mais difícil), comer de forma saudável e beber muita água. Tenho um orgulho muito grande por ter aprendido a escalada com meu pai e acho que sirvo de modelo para muita gente que me conhece e aprendeu comigo.  Portanto, ai está uma boa motivação.
A condição de buscar sempre mais, de se superar e galgar degrau por degrau me mantém inspirado na escalada.  Não há nada que se compare ao prazer que me dá ao estar no ambiente das montanhas. Me emociona o simples fato de pensar, ver uma imagem ou filme, ou alguém escalando. A escalada me traz paz, inspiração e sou um entusiasta do esporte.  Pretendo seguir por muito tempo ainda…e deixar meu legado para meus filhos(as) e para os que me conhecem.
Na Herois da Resistencia, 9c, Serra do Cipó
AL: Você já achou o equilíbrio entre a família e a escalada? Existe concorrência pelos seus finais de semana?
Comemorando o Dia dos Namorados
Cony: Acho que parte consegui balancear, pois minha família me apoia, me acompanha e até escala junto em alguns momentos.  Acho que contamino eles com meu desejo e necessidade.  Nunca forcei sua participação.  Eles sabem da importância disto pra mim e que ao voltar da escalada estarei melhor, presente e preparado para seguir a vida. Procuro estabelecer uma disciplina de escalada semanal, mensal e anual. Em alguns momentos vou escalar mais outros nem tanto. E tudo bem.



AL: Você considera que hoje está na sua melhor forma?

Cony: Acho que atualmente não estou na minha melhor forma física, mas numa ótima fase mental.  Nos anos de 1989 até 1995, participei de vários campeonatos de escalada (brasileiro, Sul Americano, um Mundial). Naquela época, me sentia forte fisicamente, mas a emoção me dominava, o medo sobrepunha e fazia com que eu não atingisse um melhor desempenho.  Cai algumas vezes por tensão emocional(e era muito frustrante aquilo, raivoso até!). Hoje tenho um melhor controle sobre medos e frustrações, então com isto administro minha performance.  Por escalar em menor quantidade durante a semana, meu rendimento físico caiu, e por estar mais velho também, claro.

Na Gravidade Zero, 9a, Lapa do Seu Antão
AL: Quais são os seus locais de escalada preferidos?

Cony: Já estive em muitos locais de escalada – RS, SC, PR, SP, RJ, MG, BA, CE, PE, GO, Argentina, Chile, Uruguay, Espanha, Inglaterra, Escócia, França. Adoro o Salto Ventoso e a Casa de Pedras aqui no RS.  Gosto das vias de granito do Rio de Janeiro e Nova Friburgo. Mas calcário é a rocha predileta.  Na Europa tem muito e em MG.
Petzl Rock Trip 2012 - La Buitrera, Neuquen (Argentina). Cony e Eduardo Isaia (Bode)
Já faz parte do meu calendário anual ir para Argentina e Minas Gerais todos os anos desde 1986 e 1989, respectivamente.
Escalando na Lapa do Seu Antão

AL: Você frequenta o Abrigo Lapinha desde 2010. O que te faz voltar aqui todos os anos?
Cony: É como umas férias…tranquilidade, paz, muita escalada, fácil acesso, preços acessíveis. Este ano devo ir duas vezes ao Abrigo. Mas não vamos parar por ai. Acho que os aspectos mais fortes são a estrutura que se tem na casa e a proximidade com os setores de escalada. É muito bom, recomendo sempre para todos que ainda não foram.
Uma das frequentes invasões gauchas no Abrigo Lapinha
AL: Uma mensagem para os escaladores do Brasil:

Cony: Que responsabilidade!

Este ano, passei o carnaval na Lapa de Seu Antão (Abrigo Lapinha) e um dia, fui questionado sobre porque estar ali tantas vezes, repetir vias, local, se precisava de segurança ou se queria trabalhar alguma via específica.  Nunca fui muito de viajar para ficar trabalhando lances ou vias duras. Tenho como hábito viajar para escalar e me sentir bem e feliz.  Neste sentido, qualquer escalada é diversão garantida.  Quando fico um tempo maior no local, sempre sai uma cadena mais significativa. Mas estar com amigos da escalada, respirar isto, falar sobre isto, preenche meu espírito. Entre fazer um 10a numa semana ou 45 vias de 6a a 8c, prefiro a segunda alternativa.

Mais uma viagem com amigos, Lapa do Seu Antão
Entusiasmo, Segurança constante e Empatia pelos parceiros de corda e locais, seriam as palavras que mando para quem compartilha de um mundo tão imenso e ao mesmo tempo tão pequeno, ao olhar do que temos em mãos. 

No Pain No Gain!!
Assinando mais um livro de cume

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Comunicado Oficial Clube Montis – Parque Natural de Escalada de Lazer Lapa do Seu Antão

Reabertura oficial da Lapa do Seu Antão – 23/04/16
Salve comunidade!
E com grande satisfação e orgulho que anunciamos a reabertura oficial da Lapa do Seu Antão no sábado, dia 23 de abril de 2016.
Depois de muitos esforços e negociação com a família proprietária do terreno, conseguimos viabilizar a reabertura do nosso parque de diversões. Reconheceram mais uma vez que nosso trabalho é desenvolvido com muito respeito e seriedade.
Estamos realizando algumas intervenções a fim de melhorar a segurança, e caso o visitante constate alguma irregularidade, pedimos que avise imediatamente ao Guardião.
Agora é continuar o projeto que se iniciou em 2010!
Em breve lançaremos um Blog exclusivo da Lapa para ampliarmos nossos canais de comunicação.
Sejam bem vindos escaladores!

Novo horário funcionamento: Sábado e domingo – 08:00 / 18:00h
Petya na via Joazinho (e Maria), 7b, Lapa do Seu Antão. Foto: Naoki Arima

quarta-feira, 20 de abril de 2016

As Tradições Lapinhenses vistas por Terka Prejdova

Faz tempo estou pensando em falar sobre as festas tradicionais da Lapinha... A nossa grande amiga Tereza publicou um artigo lindo no blog dela que aproveito compartilhar. Obrigada, Terka Prejdova! 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Abrigo Lapinha e amigos: A escalada feminina em foco. Paula Romano e Samara Brizante

A serie de entrevistas "Abrigo Lapinha e Amigos" apresentará frequentadores do abrigo, pessoas de interesses e ocupações diversos, unidos pela paixão à escalada. Começamos as entrevistas conversando com as paulistas Paula Romano e Samara Brizante que formam uma charmosa e inteligente cordada de escalada. Paula e Samara apareceram no Abrigo Lapinha pela primeira vez no carnaval de 2014 e durante 2015 foram uma das presenças mais marcantes. Aqui vem as reflexões delas sobre a amizade, a escalada e a família.

Apresentamos Samara e Paula. (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Como vocês se conheceram e começaram escalar juntas? Faz quanto tempo? 

Paula: Nos conhecemos porque a irmã da Sá é uma das minhas melhores amigas. Fomos colegas de faculdade e república durante quase todo período da faculdade. Acho que foi em 2012 que nos encontramos na festa de despedida da Jana, que estava indo fazer parte do doutorado fora do Brasil, e a Sá comentou que havia estado na Casa de Pedra e tinha adorado escalar. Fui com ela um dia, mas morri de medo, apesar de adorar altura. Voltei um segundo dia só pra fazer companhia para ela e adorei! Acho que eu precisava ganhar confiança no equipamento.

Paula no topo da Pedra do Bau
Samara: A Pa fez faculdade e morou com minha irmã, e acabamos nos conhecendo. A gente se encontrava bastante quando eu estava grávida do meu filho. Eu morava em uma chácara longe de São Paulo e usava o ap delas para fazer minhas drenagens linfáticas :)  Descobri a escalada meio sem querer. Fui com minha irmã e um amigo dela pra Casa de Pedra. Dois meses depois minha irmã se mudou do Brasil, mas antes disso, na despedida dela, contei pra Pa minha grande descoberta de vida ela quis experimentar. A partir dai nos tornamos parceiras eternas, mesmo com os desencontros da vida. Isso foi há pouco mais de três anos. 
Samara na Lapa do Antão. (Foto: Acervo pessoal Samara)

- O que vocês apreciam mais na sua companheira de cordada?

Paula: Ela é muito atenciosa com os procedimentos de segurança e confio muito no julgamento da Sá. Outro ponto importante, é que quando estamos escalando não existe um clima de competitividade ou de excesso de regras (só pode fazer via difícil, só vale se guiar, etc.). Nós simplesmente nos divertimos e somos felizes por estar na rocha. Nada contra competitividade ou desafios, essa só não é a minha vibe com a escalada hoje.


Samara: Ah... a Pa é uma grande companheira, companhia e amiga. Confiamos uma na outra, como deve ser entre segue e guia, mas confiamos além disso... Confiamos na vibe, na diversão garantida e no respeito mútuo... Enfim, a Pa é uma super companhia sempre e em tudo.
Samara escalando na Lapa do Antão (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Cada dia vemos mais meninas nas pedras e mais cordadas femininas. Porque será? 

Paula: Acho difícil responder porque eu escalo eventualmente e para me divertir. O que eu observo, e isso tem a ver com a minha experiência, não tem relação com gênero e sim com estar conectado com a vibe do seu companheiro ou companheira de escalada, seja quem for. Talvez entre os homens, por uma questão cultural, haja mais competitividade, mas isso também acontece com as mulheres :)


Samara: Nunca escalei com namorado, mas tenho amigos incríveis (homens e mulheres) e não acredito que os comportamentos sejam diferentes em função do gênero. Adoro a vibe dos meus amigos, independentemente do gênero, e cada viagem de escalada que fazemos é inesquecível. Todos se motivam, são parceiros e ajudam uns aos outros. Nos divertimos intensamente com a escalada, risadas, adrenalina e a amizade. Ao mesmo tempo vejo outros grupos e seus comportamentos e a vibe é diferente, não rola empatia. Então acho que é isso, não depende do gênero, mas a vibe e empatia precisa bater.

Samara escalando no Cuscuzeiro (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Como dividem o tempo entre a família e a escalada? Existe uma concorrência pelos seus finais de semana?

Paula: Sim! Tem concorrência, mas como tudo na vida, precisamos saber dividir e não se sentir infeliz com a escolha. A minha família me faz feliz e escalar também. Tem que saber dividir e não sofrer. Isso é um aprendizado. Quero que as duas coisas sejam para a vida toda.


Samara: Quando meus filhos estão comigo, viajamos juntos e minha pequena se sente super bem na rocha. Quando estão com o pai, viajo só com meus amigos. No início meus pais achavam coisa de maluco, porém como veem o bem que me faz, acham que maluquice é eu ficar sem... Adoro isso... Não sei se é bem uma concorrência, pois na realidade minha vontade é escalar todos os finais de semana e acaba não concorrendo com nada... rs... Mas ultimamente em função de trabalho estou bem longe... O que me deixa bastante triste... 
Samara e a filha Mel na Pedra Bela(Foto: Acervo pessoal Samara)

- Paula mora em São Paulo e Samara em São José do Rio Preto. Onde é que vocês mais escalam? 

Paula: Lapinha, a Lapa do Antão e Sítio do Rod têm sido nossos locais de escalada este ano (2015). São lugares lindos, com uma grande diversidade de vias. Você fica em contato com a natureza. O Abrigo Lapinha tem sido uma segunda casa onde conhecemos pessoas muito queridas que se tornaram amigas para a vida. 


Samara: Sim, moramos longe. O Cuscuzeiro fica exatamente na metade do caminho entre São Paulo e Rio Preto, pouco mais de duas horas de viagem, e vamos pra lá. Porém, nosso principal destino é a Lapinha e a Lapa do Antão. Adoramos os lugares, as pessoas e a escalada de lá. 
Escalando no Sitio do Rod (Foto: Acervo pessoal Paula)

- Ultimamente vocês tem feito juntas muitas viagens de escalada. Contem-nos um pouco dessa experiencia.

Paula: Como estamos em cidades diferentes, escolhemos o Abrigo da Lapinha porque gostamos do ambiente, do contato com a natureza e já conhecíamos algumas vias. Continuamos voltando porque adoramos as pessoas e o clima do lugar. Acho que este ano nossas viagens juntas tiveram muito a ver com estar em contato com a natureza, não só o desafio da escalada.


Samara: Nossa meta é fazermos uma viagem pra lá todos os meses, apesar da distância, e normalmente conseguimos.
Paula e Samara no topo do Cuscuzeiro, procurando a via de descida (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Qual é a sua meta na escalada?

Paula: Meta? Fazer montanha até o final da vida, vale? Eu adoraria fazer gelo um dia, mas hoje eu não consigo colocar isso como meta pois tenho outras prioridades. Então, enquanto isso, eu vou me divertindo quando consigo escalar e cuidando da minha saúde (como eu já passei dos trinta, descobri que algumas coisas quebram e não voltam para o lugar) para que eu possa fazer montanhas até o final da vida :)


Samara: Ser feliz sempre, me desafiando e sentindo a satisfação que apenas quem escala sabe a intensidade. Escalar é algo único, transformador e realizador, algo que tem como entrega maior a felicidade. Essa é minha meta. 
Paula no topo da Pedra Bela

- Uma mensagem para as escaladoras do Brasil: 

Paula: Atenção aos procedimentos de segurança e diversão!

Samara: Have fun e seja feliz!
Paula Romano e Samara Brizante