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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Abrigo Lapinha e amigos: A escalada feminina em foco. Paula Romano e Samara Brizante

A serie de entrevistas "Abrigo Lapinha e Amigos" apresentará frequentadores do abrigo, pessoas de interesses e ocupações diversos, unidos pela paixão à escalada. Começamos as entrevistas conversando com as paulistas Paula Romano e Samara Brizante que formam uma charmosa e inteligente cordada de escalada. Paula e Samara apareceram no Abrigo Lapinha pela primeira vez no carnaval de 2014 e durante 2015 foram uma das presenças mais marcantes. Aqui vem as reflexões delas sobre a amizade, a escalada e a família.

Apresentamos Samara e Paula. (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Como vocês se conheceram e começaram escalar juntas? Faz quanto tempo? 

Paula: Nos conhecemos porque a irmã da Sá é uma das minhas melhores amigas. Fomos colegas de faculdade e república durante quase todo período da faculdade. Acho que foi em 2012 que nos encontramos na festa de despedida da Jana, que estava indo fazer parte do doutorado fora do Brasil, e a Sá comentou que havia estado na Casa de Pedra e tinha adorado escalar. Fui com ela um dia, mas morri de medo, apesar de adorar altura. Voltei um segundo dia só pra fazer companhia para ela e adorei! Acho que eu precisava ganhar confiança no equipamento.

Paula no topo da Pedra do Bau
Samara: A Pa fez faculdade e morou com minha irmã, e acabamos nos conhecendo. A gente se encontrava bastante quando eu estava grávida do meu filho. Eu morava em uma chácara longe de São Paulo e usava o ap delas para fazer minhas drenagens linfáticas :)  Descobri a escalada meio sem querer. Fui com minha irmã e um amigo dela pra Casa de Pedra. Dois meses depois minha irmã se mudou do Brasil, mas antes disso, na despedida dela, contei pra Pa minha grande descoberta de vida ela quis experimentar. A partir dai nos tornamos parceiras eternas, mesmo com os desencontros da vida. Isso foi há pouco mais de três anos. 
Samara na Lapa do Antão. (Foto: Acervo pessoal Samara)

- O que vocês apreciam mais na sua companheira de cordada?

Paula: Ela é muito atenciosa com os procedimentos de segurança e confio muito no julgamento da Sá. Outro ponto importante, é que quando estamos escalando não existe um clima de competitividade ou de excesso de regras (só pode fazer via difícil, só vale se guiar, etc.). Nós simplesmente nos divertimos e somos felizes por estar na rocha. Nada contra competitividade ou desafios, essa só não é a minha vibe com a escalada hoje.


Samara: Ah... a Pa é uma grande companheira, companhia e amiga. Confiamos uma na outra, como deve ser entre segue e guia, mas confiamos além disso... Confiamos na vibe, na diversão garantida e no respeito mútuo... Enfim, a Pa é uma super companhia sempre e em tudo.
Samara escalando na Lapa do Antão (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Cada dia vemos mais meninas nas pedras e mais cordadas femininas. Porque será? 

Paula: Acho difícil responder porque eu escalo eventualmente e para me divertir. O que eu observo, e isso tem a ver com a minha experiência, não tem relação com gênero e sim com estar conectado com a vibe do seu companheiro ou companheira de escalada, seja quem for. Talvez entre os homens, por uma questão cultural, haja mais competitividade, mas isso também acontece com as mulheres :)


Samara: Nunca escalei com namorado, mas tenho amigos incríveis (homens e mulheres) e não acredito que os comportamentos sejam diferentes em função do gênero. Adoro a vibe dos meus amigos, independentemente do gênero, e cada viagem de escalada que fazemos é inesquecível. Todos se motivam, são parceiros e ajudam uns aos outros. Nos divertimos intensamente com a escalada, risadas, adrenalina e a amizade. Ao mesmo tempo vejo outros grupos e seus comportamentos e a vibe é diferente, não rola empatia. Então acho que é isso, não depende do gênero, mas a vibe e empatia precisa bater.

Samara escalando no Cuscuzeiro (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Como dividem o tempo entre a família e a escalada? Existe uma concorrência pelos seus finais de semana?

Paula: Sim! Tem concorrência, mas como tudo na vida, precisamos saber dividir e não se sentir infeliz com a escolha. A minha família me faz feliz e escalar também. Tem que saber dividir e não sofrer. Isso é um aprendizado. Quero que as duas coisas sejam para a vida toda.


Samara: Quando meus filhos estão comigo, viajamos juntos e minha pequena se sente super bem na rocha. Quando estão com o pai, viajo só com meus amigos. No início meus pais achavam coisa de maluco, porém como veem o bem que me faz, acham que maluquice é eu ficar sem... Adoro isso... Não sei se é bem uma concorrência, pois na realidade minha vontade é escalar todos os finais de semana e acaba não concorrendo com nada... rs... Mas ultimamente em função de trabalho estou bem longe... O que me deixa bastante triste... 
Samara e a filha Mel na Pedra Bela(Foto: Acervo pessoal Samara)

- Paula mora em São Paulo e Samara em São José do Rio Preto. Onde é que vocês mais escalam? 

Paula: Lapinha, a Lapa do Antão e Sítio do Rod têm sido nossos locais de escalada este ano (2015). São lugares lindos, com uma grande diversidade de vias. Você fica em contato com a natureza. O Abrigo Lapinha tem sido uma segunda casa onde conhecemos pessoas muito queridas que se tornaram amigas para a vida. 


Samara: Sim, moramos longe. O Cuscuzeiro fica exatamente na metade do caminho entre São Paulo e Rio Preto, pouco mais de duas horas de viagem, e vamos pra lá. Porém, nosso principal destino é a Lapinha e a Lapa do Antão. Adoramos os lugares, as pessoas e a escalada de lá. 
Escalando no Sitio do Rod (Foto: Acervo pessoal Paula)

- Ultimamente vocês tem feito juntas muitas viagens de escalada. Contem-nos um pouco dessa experiencia.

Paula: Como estamos em cidades diferentes, escolhemos o Abrigo da Lapinha porque gostamos do ambiente, do contato com a natureza e já conhecíamos algumas vias. Continuamos voltando porque adoramos as pessoas e o clima do lugar. Acho que este ano nossas viagens juntas tiveram muito a ver com estar em contato com a natureza, não só o desafio da escalada.


Samara: Nossa meta é fazermos uma viagem pra lá todos os meses, apesar da distância, e normalmente conseguimos.
Paula e Samara no topo do Cuscuzeiro, procurando a via de descida (Foto: Acervo pessoal Samara)

- Qual é a sua meta na escalada?

Paula: Meta? Fazer montanha até o final da vida, vale? Eu adoraria fazer gelo um dia, mas hoje eu não consigo colocar isso como meta pois tenho outras prioridades. Então, enquanto isso, eu vou me divertindo quando consigo escalar e cuidando da minha saúde (como eu já passei dos trinta, descobri que algumas coisas quebram e não voltam para o lugar) para que eu possa fazer montanhas até o final da vida :)


Samara: Ser feliz sempre, me desafiando e sentindo a satisfação que apenas quem escala sabe a intensidade. Escalar é algo único, transformador e realizador, algo que tem como entrega maior a felicidade. Essa é minha meta. 
Paula no topo da Pedra Bela

- Uma mensagem para as escaladoras do Brasil: 

Paula: Atenção aos procedimentos de segurança e diversão!

Samara: Have fun e seja feliz!
Paula Romano e Samara Brizante

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