Localização

Rua São Vicente 25 - Fidalgo, Pedro Leopoldo - MG - CEP 33.600-000 (Unidade Fidalgo).

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Abrigo Lapinha e amigos: Um atleta de alto nivel que virou escalador. Rui Paulo.

Nessa entrevista da serie "Abrigo Lapinha e Amigos" apresentamos ao grande amigo escalador Rui Paulo, quem foi atleta de alto nivel no salto em altura (!), alcançou resultados importantes e ganhou campeonatos internacionais. A etrevista foi concendida em agosto, logo após as Olimpiadas e estamos publicando agora para lembra-lhes dessa festa mais bonita e importante para o esporte no mundo todo, na qual a escalada logo participará.
 
Aproveitamos a oportunidade para saber um pouco mais sobre o mundo do atletismo e entender a transformação que ocurreu na vida de Rui depois de conhecer as paredes de rocha, e virar um escalador arduo que viaja pelo Brasil inteiro para conhecer novos picos e fazer amigos
Rui escalando em Sao Bento do Sapucai (SP)
AL: Rui, voce foi atleta de alto nivel no salto de altura e participou em campeonatos mundiais de atletismo. Conte um pouco sobre a sua carrera.

Rui: Em meados do inverno de 1988 sagrei-me vice-campeão infantil do salto em altura em um torneio inter escolar de atletismo e descobri duas coisas: A primeira delas é de que seria desportista para sempre, essa é a minha virtude, e a segunda e mais importante é que não há relação direta entre ser o melhor e estar-se completamente alegre ou satisfeito.
Bicampeao Sulamericano na Argentina

AL: Quantos anos voce dedicou ao atletismo? Qual foi o seu mehor salto?

Rui: Foram onze anos de dedicação ao atletismo sempre competindo no salto em altura, prova que tem como recordista mundial o cubano Javier Sotomayor com 2,45 metros (1 e 2 centímetros mais que a rede masculina de vôlei e a trave de futebol respectivamente), eu por minha vez  alcancei modestos 2,15 metros (5 ou 6 centímetros mais que uma porta comum).

O atletismo competitivo me concedeu mais que alguns trocados, uma bolsa integral na faculdade de educação física e alguns recordes e campeonatos. Deu-me formação moral, me ajudou a lidar com vitorias e principalmente derrotas, uma vez que mesmo quatro vezes campeão Brasileiro e duas campeão Sul-americano, as derrotas no esporte assim como na vida se fazem sempre mais presentes.

Copa America com Javier Sotomaior, recordista mundial (no meio) e Jeferson, recordista Sulamericano (a sua direita)

AL: Voce conheceu os melhores do esporte? Presenciou alguns logros importantes?
Rui: Através do salto em altura conheci quase todo o Brasil e alguns países pelo mundo, quando o que mais me impressionou foi o Canadá durante o campeonato Pan Americano, com sua estrutura e educação impecável. Contei também com professores e técnicos que me ensinaram como verdadeiros pais e ainda cultivei amizades sinceras que as mantenho ate hoje, alem do privilégio e satisfação de conhecer e competir com o cubano Javier Sotomayor, campeão mundial algumas vezes, campeão olímpico e detentor a 23 anos do recorde mundial do salto em altura.


Rui saltando
AL: Como foi que voce descobriu a escalada e virou escalador?
 
Rui: O drama da transição entre atleta e pessoa comum é recorrente a todos os ex-atletas, se adaptar a uma rotina normal, sem desafios físicos e psicológicos quase que diários, é tarefa árdua. Então nos restam dois caminhos: O da inércia, que resulta quase sempre em ganho de peso (gordura RS), depressão e desencanto pela vida, ou ainda outra estratégia a qual recorri me baseando no escritor Emanuel Kant, que dizia: "Já que não ama, haja como se amasse", então já que não era mais atleta passei a agir como se ainda o fosse. Primeiramente o basquete, depois meu filho mais velho me ensinou andar de skate (que utilizo até hoje como meio de transporte), à magia e beleza do surf não me adaptei, para enfim através do mal compreendido e muita vezes discriminado Rapel conhecer e me apaixonar de pronto pela Escalada.

Pico Maior, Nova Friburgo (RJ)
Quando desci da minha primeira parede pensei: Eureka (encontrei)! Acredito inclusive que somos todos escaladores, faz parte de nossa essência enquanto humanos, só precisamos de uma forcinha para lembrarmos disso.
Escalando em Piracaia (SP)
AL: Ja esta certo que a escalada vai  estreiar nas olimpiadas em 2022. Quais seriam as concequencias para o esporte e para os escaladores? Como voce acha que a escalada mudara por estar-se reunindo a familia olimpica?
Rui: A intensidade de prática e paixão declarada pelas montanhas me denota quase sempre melhor e mais experiente escalador do que realmente o sou. Escalo ha apenas três anos e meio, mais especificamente 177 finais de semana consecutivos. Já como atleta e integrante da seleção Brasileira de atletismo por alguns anos tive um pouco mais de experiência e penso que muitas coisas boas e ruins poderiam acontecer com a inclusão da escalada nas 32° Olimpíadas de Tóquio Japão em 2020.
Dedo de Deus (RJ)
O quão melhor ou pior serão essas mudanças, caberá prioritariamente aos órgãos responsáveis por essa reestruturação de todos os contextos que envolvem a escalada, desde organização de campeonatos e locais voltados ao treinamento de atletas, à correta divulgação do esporte e incorporação adequada de novos adeptos principalmente os que se interessarem pela escalada não em ginásios somente, mas também na rocha junto à natureza e todas as responsabilidades e cuidados que devemos ter quando interagimos junto a esta.

Na Lapa do Antão (MG)
Uma vez esporte olímpico o foco em torno de esportes livres, tidos como radicais, como o surf, o skate e a escalada, mudarão significativamente logo que na maior parte das vezes se almejara antes de tudo a vitória.

Na Lapinha (MG) -  A via Scarface, que quase quebrou minha perna, rs
 AL: Voce viaja muito pelo Brasil para vconhecer novos locais de escalada. Conte um pouco sobre as suas viagens e os seus lugares preferidos.
Rui: O Brasil é sem duvida um dos, senão o melhor e mais bonito pais do mundo para a pratica de escalada, tive o prazer de escalar em boa parte desses lugares como em São Paulo onde aprendi e sempre aprendo com a pedreira de Mairiporã no bom e velho Dib, o chamamos assim, como um amigo se dirigi a outro mais experiente.
Big wall Pedra da Laginha (Espirito Santo)
Em Analândia e sua formação de Arenito inusitada, o Cuscuzeiro. Escalar a beira mar no Morro do Maluf  no Guarujá, há 60 km de São Paulo é massa demais, alem de Pindamonhangaba e seus vários setores e suas inúmeras e lindas vias, visual das águas em Piracaia,Baú e Bauzinho em São Bento do Sapucaí  e um dos melhores e organizados Campo Escola que já freqüentei, a Pedra da Represa em Salesopolis.
Analandia (SP)
No Rio de Janeiro que hoje cedia as 31° Olimpíada da era moderna, subir o Pão de Açúcar ou chegar aos pés do Cristo Redentor escalando é algo indescritível, fazer um lanchinho dentro de um dos olhos da cabeça do imperador na Pedra da Gávea (maior montanha beira mar do mundo) ou alcançar o cume do Dedo de Deus em Teresópolis, saborear as belezas dos montes da Floresta da Tijuca (maior Floresta urbana do mundo), ou controlar-se diante da imponência do Pico Maior em Nova Friburgo (ponto mais alto da serra do mar), são todos prazeres sem igual.
Pedra da Gavea (RJ)
Em Minas Gerais minha terra, encantou-me a montanha rosa e suas pinturas rupestres em são João Del Rey MG, os boulders de São Thomé das Letras, a dureza das vias do Pedrão em Pedralva, os psicoblocos de Furnas em Capitólio, os festivais de escalada nas montanhas de quartzito colorido em Araxá e nos montes de calcário de Arcos e mais os surreais vale encantado em Januaria e a Serra do Cipó que dispensa comentários.
Sao Joao del Rey e a Montanha Rosa (MG)
E ainda houve também os encantamentos da chapada dos veadeiros, as torres de quartzito de Cocalzinho, e o Belchior em Goiás, alem da Gigante Pedra da Lajinha no Espírito Santo e seus intermináveis 1.150 metros de altura, alem de incontáveis outras magníficas montanhas que não caberiam todas aqui.
Cocalzinho (Goias)
AL: Voce e um hospede regular do Abrigo Lapinha. O que te faz voltar sempre no Abrigo?
Rui: Como viajo bastante desde os treze anos, sou sempre questionado sobre qual o mais belo e perfeito lugar já estive. Para aqueles que como eu têm mais de um filho sabe que é difícil senão impossível escolher um deles. Com tudo uma vez que montanhas são mudas e então não  se queixarão, minha resposta se aproxima quase sempre de Lagoa Santa em MG, onde sempre me hospedo no local que mais me sinto em casa, o abrigo da Lapinha, com a ótima recepção e acomodação  ao melhor estilo mineiro-europeu dos amigos  Leandrinho e Petya. É lá que experimento maior prazer e mais beleza me atinge as retinas quando escalo no Sitio do Rod e Gruta da Lapinha, palavras não poderiam descrever tais lugares.
Sitio do Rod, na via "Vivendo no crux da larica" (MG)
AL: Uma mensagem para os escaladores do Brasil:
Rui: Que essa inserção da escalada ´as 32° Olimpíadas de Tóquio Japão, nos traga progresso e reconhecimento. Torço e me dedicarei sempre para que nunca se perca a pureza e simplicidade de se alcançar o cume de uma montanha escalando e com todo respeito que lhe é devido.
Vale da lua - Chapada dos Veadeiros
Escalar uma montanha é muito mais que um esporte e envolve muito mais que vitória e derrota, tem relação com a possibilidade de nos conectarmos com a natureza e com nós mesmos, nos tornando assim pessoas melhores e mais responsáveis com o planeta.
Floresta da Tijuca e minha paixao pela bandeira do Brasil

2 comentários:

  1. Como escalador é um ótimo no atletismo!!!
    Brincadeiras a parte, grande presença, amigo e esportista!
    Abraços Rui!

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela matéria grande Ruimar,vou mostra para toda família.Abraços.

    ResponderExcluir